sexta-feira, 10 de junho de 2011

Introspecção

Às Flores Mortas



Para os que não nasceram,
Os que não vingaram,
Há o consolo da morte.


A quem brotou da semente,
Bela erva envaidecida,     
Há todo o fardo da vida.


Toda certeza contida
Na fé de quem procriou,



Tantas árvores crescidas,
Folhas no tempo perdidas,
       Destino de quem plantou.       



Para quem aqui vingou
Há a vingança da vida,
Há toda a crença na vida
Que se desfaz como a flor..
                                 Carleone Filho

domingo, 5 de junho de 2011



































Mas se eu morrer amanhã
Que seja de desgosto e não amor,
Que seja por descrença e não louvor,
Que seja breve como a vida, enfim...

Se eu morrer amanhã
Não deixarei sorrir o meu destino
E serei Cristo a me ver sorrindo,
Descrente, céptico, apostrófico...

E bem será o fim, desesperança,
Um  desenredo quase terminal,
Como lembranças de um luto carnal
Despiciendo da pouca bonança.  
                                               Carleone Filho


domingo, 29 de maio de 2011

Sonho Sujo



É a minha história a que vivo,
A que me cabe entre os homens,
O enredo que me consome,
Que me digere,
Que me expele...

É a minha vida que canto,
Os restos desta triste vida.

Sou sonho sujo,
Tenho o cheiro dos restos.
Vivo no visgo dos retos
O vício de amar os vermes.



Sou sonho sujo
Na triste sina do ser,
Do sonho a se desfazer
Na orgia frenética das fossas.



Sou como uma bosta fétida, pastosa,
A massa a girar perdida
Na água límpida de um vaso branco.
                                                              Carleone Filho



A Hiena Pagã























Hoje eu vos digo: amai-vos.

Não o amar sincero, amar cristão ,
Digo o amor ao próximo,
Amor ao cio, à sedução.


Verso o amor pagão,
Amor de carne e fluídos,
Vícissitude dos animais.


Amai-vos, amai-vos...
Sem a razão dos homens,
Sem o pudor dos nomes,
Mas, sim, com o sabor do instinto.


Amai-vos como os abutres,
Como as serpentes...

Hoje eu vos digo. Amai-vos.
Amai-vos como a hiena ama as vísceras,
A carne decaída, o caos da pele.


Amai-vos para que possa ser pagã
Toda palavra gruída,
Toda poesia perdida
Que sai da boca em sussurros.


Amai-vos,
Amai-vos...                   Carleone Filho

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Todas as Mães do Mundo




















   A Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD), popularmente conhecida como Mães da Sé, é uma entidade sem fins lucrativos, que congrega familiares e amigos de pessoas desaparecidas. Por iniciativa da Associação ao segundo domingo de cada mês um grupo de mães se encontra na Praça da Sé,  em São Paulo,  para buscar apoio à  procura por seus entes queridos. Resultados positivos com esta e outras ações foram observados nos últimos anos, o que reforça a esperança...

   A morte de um filho é, sem dúvida, a dor maior para uma mãe. No mundo milhares de crianças e jovens desaparecem a cada ano. O Desaparecimento, é a “morte” mais angustiante, pois, fica na mente a tristeza da perda e na alma a esperança da busca. Acreditar, contudo, é preciso... é necessário.  

Para a Mãe África, odudua,

Bela mãe negra da terra,

Às virgens mães, às Madalenas,

Todas as deusas terrenas

Que plantam flores no mundo.



Às Afrodites, às Europas, às Loreleis,

Às Mães de todos os reis,

De todas as religiões.



Às que entoam canções,

Que cantam para ninar.



Às que levantam bandeiras,

Evas etéreas, sereias,

Jacis que brilham na areia

Onde o sol vem fecundar.



Às que partiram,

Às que chegaram,

Às que ainda irão chegar...   



Às Ásias serenas,

Às Árticas , Oceanias,

Às que lutam a cada dia

Sonhando frutificar.



À minha mãe que abraça,

À sua mãe sincera,

Às nossas mães que amam.

.

A todas as Mães do Mundo.
                                       Carleone Filho

 





terça-feira, 1 de março de 2011

As Barcarolas



Seguem as velhas barcarolas
Pelo destino levadas...
Carregadas com cansaços
Nas águas atormentadas.


Barcarolas, velhas barcas...
Longe vão, deixam tristezas;
Um porto vazio, meu peito,
Nessa vida de incertezas.


Vão guiadas pelo fado,
Travessando as madrugadas.
Partem levando as saudades
Das almas no cais deixadas.
                                      Carleone Filho